Semana da Composição 2026




 Em 2026 celebramos a décima terceira edição da Semana da Composição. Trata-se de um evento anual organizado por alunos e professores de Composição da ESML - Escola Superior de Música de Lisboa, com atividades como workshop, conferências e apresentações musicais, privilegiando a música dos alunos e professores da ESML, mas também procurando incluir repertórios da música erudita dos séculos XX e XXI.


Toda a comunidade escolar e simpatizantes estão convidados a assistirem aos eventos promovidos no âmbito da Semana da Composição 2026.

                         Esta página será atualizada ao longo da semana!



Programa geral



Concertos


CONCERTO 1 - 3ª feira 2 Junho 2026

Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML

Estevão Chissano - O último suspiro; Carolina Carneiro

Wenbin Lyu - Adlez; Teoman Özdoğru

Tobias Krebs - “Schilf II” for prepared Oboe d'Amore & video; Mariana Flores

Emídio Buchinho - Be Composer; Lab. de Música Mista JLF

Tomás Duarte - ensemble de percussão da ESML, dir. Marco Fernandes

Vera Carvalho - ensemble de percussão da ESML, dir. Marco Fernandes

Pedro Branco - Fantasia; Pedro Branco, Inês Montoia


CONCERTO 2 - 4ª feira 3 Junho 2026

Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML

Åke Parmerud - Dark Harbour; David Ferreira

Hugo Morais - Drawing Straight Lines; Fruzsina Szücs

Carlos Caires - Limiar; Catarina Crespo

Tiago Ribeiro - Keynote T Loop

Christopher Bochmann - Selecção de Canções; Armando Possante, Ricardo Martins

Tomás Duarte - Sepultura Romântica


CONCERTO 3 - 6ª feira 5 Junho 2026

Iris Bramberger

Bernardo Jordão

Lucas Silva

Bernardo Jordão - Piano Solo; António Correia

Sergio Azevedo - Sinos

Fernando Lopes Graça - 2 Canções Populares

Carlos Marecos - Canções Populares


CONCERTO 4  - Sábado 6 Junho 2026


Inês Pinto - Wind

Pierre Jalbert - Ultraviolet

Fernando Lopes-Graça - Variações tema pop. port.

Thomas Adès - Blanca Variations 

Pedro Branco - 3 gravuras; Pedro Branco

Lowell Liebermann - Gargoyles

António - 4 studies for children; Tiago Mileu

Lucas Gonçalo - untitled




Conferências

António Jorge Pacheco | Mariana Dionísio | António Pinho Vargas | Jorge Salgueiro | Daniel Moreira | Luís Neto da Costa | Christopher Bochmann | Teresa Gentil


Workshop
Vanessa Pires



27 de Maio, 4a feira, 11:00 - Pequeno Auditório

Subsídios para a morte do artista - Música contemporânea: a inocência perdida? - António Jorge Pacheco

Quanto mais faço amor mais vontade me dá de começar a Revolução; quanto mais Revoluções começo mais vontade me dá de fazer amor (graffiti nas paredes de Paris em 1968)

O que queremos designar quando falamos de “música contemporânea”?
Qual é o entendimento da sociedade – da imprensa, do cidadão comum, das instâncias de poder – sobre o que seja essa coisa da “música contemporânea”?
Queremos referir-nos a um estilo, uma estética, um período histórico, ou trata-se de um mal-entendido etimológico? Ou será que a questão é irrelevante nos nossos dias?



28 de Maio, 5a feira, 11:00 - Pequeno Auditório

_Peças-instrumento_? - Mariana Dionísio

Numa conversa sobre a maneira como aborda a composição enquanto improvisadora e performer, Mariana Dionísio partilha alguns dos mecanismos de composição que fazem do seu ensemble vocal LEIDA um instrumento.



28 de Maio, 5a feira, 11:40 - Pequeno Auditório - António Pinho Vargas

1. A minha vida como um todo. 75. 28 anos na ESML
2. Algumas notas sobre o sublime em Kant e Lacoue-Labarthe como princípios para a composição
3. Anima versus techné: animo e técnica

1. Hoje vou falar da minha vida vista dos meus 74 anos de idade. Algumas das minhas perspectivas sobre a música que fiz no seu conjunto, na sua totalidade, mudaram há relativamente pouco tempo. Olho para o passado e vejo um todo. Um todo no qual poderia destacar esta ou aquela obra, mas sempre tendo em consideração frases que eu ouvi 40 anos depois dos meus discos de “jazz que não era jazz” como eu dizia, por exemplo, “Outros Lugares foi para nós uma pedrada de oxigénio” ou “poderia ter sido gravado ontem”.
Este conjunto de pessoas continua a querer ouvir-me tocar aquela música. Devo ter isso em grande consideração. Tal como uma possibilidade entretanto recuperada — depois de um abismo — de poder voltar a tocar hoje com um grande e diferente prazer.

2. Depois posso olhar para composições que escrevi na tradição da música escrita europeia clássica ou erudita e posso medir o carácter milagroso que bastantes vezes se concretizou nas estreias ou nos concertos a que pude assistir. Para mim os aplausos do público ou, mesmo, os seus gritos são importantes.

De idêntico modo posso lembrar-me dos 3 dias das gravações do CD Lamentos — depois de 5 anos sem ouvir música com auscultadores — pude ouvir aquela música, aquelas 3 obras: a Sinfonia (subjetiva), os Concertos para Violino e Viola tocados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e as suas solistas Ana Pereira e Joana Cipriano, de forma admirável e muito comovente. Parece-me ser impossível ouvir aquele disco sem que paire no ar um espanto perante aquilo que é raro: falo da composição e dos intérpretes. Aparentemente, pode parecer um exagero, mas se for, estou muito convicto dele.

3. Fui professor 28 anos na Escola Superior de Música de Lisboa. A lista dos meus alunos é demasiado grande para aqui a poder referir.

Segunda parte: o sublime

4. Immanuel Kant no parágrafo número 49 da sua Crítica da Faculdade de Julgar ou do Juízo de Valor, trata das faculdades do ânimo que constituem a possibilidade de uma arte sublime. Segundo o filósofo francês Philippe Lacoue-Labarthe, Kant definia aí aquilo que considera “alma de uma obra”, “o princípio vivificante de uma obra”, “aquilo que lhe dá vida”, “o princípio vivificante de ânimo dos pontos este suplemento ou “acréscimo de vida” que excede aquilo que se poderia chamar, com Diderot (outro filósofo francês, mas este filosofo iluminista do século XVIII ) “a simples técnica”. Esta divisão não deixa de nos perturbar e enriquecer o pensamento.

5. Continuando a seguir Lacoue-Labarthe, a Alma é simples e literalmente o que anima um poema, uma narração, um discurso, este princípio não é nada além da faculdade de apresentação das Ideias Estéticas, dessas representações que dão “muito a pensar” sem que, contudo, qualquer pensamento determinado, isto é, um conceito possa ser-lhe adequado. Consequentemente nenhuma linguagem alcança inteiramente nem o pode tornar compreensível. Esta contestação do pensamento conceptual como diverso do pensamento estético percorre muitas páginas de Adorno.

Terceira parte: a composição

6. Neste ponto interrogo, ou melhor, interrompo a minha leitura de Kant sobre o sublime com Lacoue-Labarthe para isolar os aspetos principais: anima vs técnica, portanto ânimo (de Kant) versus técnica (de Diderot). Continuo: a técnica será o nosso conhecimento elementar sem o qual se pode dizer que “nós não sabemos música”.

a) Saber o que é compor em fá maior, como Cage, por exemplo.
b) compor um campo harmónico com registo fixo a maneira de Pierre Boulez
Luciano Berio,
c) procurando, no entanto, captar no ânimo, o suplemento da vontade de continuar para diante com a abertura suficiente para sermos capazes de interromper como Ligeti o faz. d) György Ligeti começa um estudo para piano com uma formalização de material relativamente simples de descortinar, enunciar que envolve escalas pré-definidas, um percurso de interações reprodutivas mecanicamente tipo 8 colcheias versus 7 colcheias ou 12 mínimas versus 9,8 ou 7 (etc.) semínimas sendo esse o segredo máximo de Ligeti: decidir em que ponto é que ele altera, interrompe, e modifica a regra e passa a compor simultaneamente com a regra e com a possibilidade de alterar a regra de durações ou intervalos durante o ato compositivo.

7. Se não soubermos música não sabemos sequer o que acontece numa Sonata de Mozart, qual é a sua tonalidade, qual é o momento em que muda para a dominante, como é que o faz, qual é o percurso que ele conduz na progressão, para o tornar próprio da forma Sonata que, diga-se, raramente corresponde completamente à forma Sonata tipo. O modelo apresentado já depois da morte de Haydn, Mozart e Beethoven por Carl Czerny depois de 1820 como nos ensinas Charles Rosen, no seu livro The Classical Style.

Só li esse livro comprado entre 1979 e 80 é que fiquei a saber que a forma Sonata tal como nos era descrita nas aulas do conservatório de piano ou de composição nos anos 70 ou 80 era afinal aquilo que Czerny tinha procurado resumir do grande número de obras do estilo clássico.



1 de Junho, 2a feira, 11:00 - Pequeno Auditório

Ópera em portugal, uma revolução em curso - Jorge Salgueiro

Com o surgimento em 2023 dos apoios dedicados à criação de ópera por parte da Direção- geral das Artes, novas formas de criar e produzir ópera surgiram em pequenas companhias. Irei abordar o caso que melhor conheço, o da Associação Setúbal Voz, e conceitos que aí surgiram, como a Ópera para Bebés, Ópera no Bairro, e novas formas de criar e formar públicos e novos intérpretes.



1 de Junho, 2a feira, 12:00 - Pequeno Auditório

A musicalidade do cinema como modelo composicional - Daniel Moreira

Música e cinema partilham um conjunto de denominadores comuns, enquanto artes do movimento, do ritmo e do tempo. Nesta comunicação, exploro algumas das consequências dessa afinidade no meu trabalho como compositor. Partindo de uma breve análise da musicalidade de certas práticas cinematográficas e da influência do cinema sobre o pensamento de vários compositores, percorro o modo como várias peças de minha autoria se inspiram na musicalidade do universo cinematográfico, em aspetos como a montagem, o movimento de câmara, a estrutura narrativa e o som.



1 de Junho, 2a feira, 15:00 - Pequeno Auditório

Workshop de Gestão de Carreira Artística - Vanessa Pires – Artway (sessão de 90 minutos)

Este workshop oferece uma visão prática e estratégica sobre a gestão de carreiras artísticas, nomeadamente na área da música. Com base na sua experiência como gestora de projetos, programadora artística e violoncelista, Vanessa Pires aborda temas essenciais para futuros músicos profissionais, tais como:

  • Planeamento estratégico: como definir objetivos e posicionar-se no setor musical 
  • Comunicação e criação de portfólio artístico: conteúdos essenciais e principais
    ferramentas 
  • Gestão de projetos e financiamento: transformar ideias em propostas viáveis 
  • Criação de valor: ética profissional e networking
    O workshop de Gestão de Carreira Artística, orientado por Vanessa Pires, é uma oportunidade para explorar de forma prática e estratégica os caminhos para construir uma carreira sólida no setor artístico. A partir da sua experiência como gestora cultural, programadora artística e agente, Vanessa partilha ferramentas essenciais para quem se prepara para o mundo profissional: do planeamento estratégico à criação de portfólio, da gestão de projetos e captação de financiamento à definição de uma identidade artística autêntica e comunicativa. 



2 de Junho, 3a feira, 11:00 - Pequeno Auditório 

  • Last Chamber Works: apresentação do álbum - Luís Neto da Costa
    Neto da Costa apresenta o seu mais recente álbum “Luís Neto da Costa: Last Chamber Works” que conta com a gravações de seis grupos: Ensemble Suono Giallo, Sond’Ar-te Duo, Aleph Guitar Quartet, ars ad hoc, Ensemble Recherche e Vertixe Sonora. O compositor irá abordar a variedade de materiais e estilística presente no álbum: influência de música ambiente, ruídos suaves (uma espécie de ASMR), melodias microtonais subtis, alternância entre acordes com harmónicos e distorção/saturação, bem como influências do punk.


2 de Junho, 3a feira, 11:40 - Pequeno Auditório 

  • O registo como parâmetro essencial da linguagem musical - Christopher Bochmann
    Na composição pós-tonal, ao lado de técnicas muitas vezes de imenso rigor e controle intelectual, o registo parece frequentemente organizar-se segundo um critério bastante livre e/ou essencialmente intuitivo. No entanto, tendo em consideração o tratamento do registo ao longo da história dos passados séculos e o funcionamento da música não-tonal, a dimensão de registo passa a ser um elemento integral da linguagem – e daí, da lógica e da expressividade. 



3 de Junho, 4a feira, 11:00 - Pequeno Auditório

Ti Chitas, a voz que é uma montanha: trajetos para a construção de uma ‘ópera- cancioneiro’ - Teresa Gentil | Inet-MD

Nesta comunicação proponho uma reflexão sobre o processo de criação literário-musical da ópera Ti Chitas, a voz que é uma montanha, estreada recentemente no CCB (26/02/2026). O projeto resulta de uma investigação etnomusicológica ao redor da voz da pastora e tecedeira Ti Chitas (Penha Garcia, 1913 - 2003), figura incontornável da música de matriz rural portuguesa.

A partir dos registos fonográficos da cantora e adufeira, construiu-se um objeto artístico em que a sua voz assume um papel estruturante, articulando memória(s), música, dramaturgia, espaço cénico e visual. A comunicação procurará evidenciar os trajetos de criação que conduziram à construção desta ‘ópera-cancioneiro’, refletindo sobre as possibilidades de transposição do arquivo etnomusicológico para o contexto da criação contemporânea.