Semana da Composição 2026
Em 2026 celebramos a décima terceira edição da Semana da Composição. Trata-se de um evento anual organizado por alunos e professores de Composição e de Tecnologias da Música da ESML - Escola Superior de Música de Lisboa, com atividades como workshop, conferências e apresentações musicais, privilegiando a música dos alunos e professores da ESML, mas também procurando incluir repertórios da música erudita dos séculos XX e XXI.
Toda a comunidade escolar e simpatizantes estão convidados a assistirem aos eventos promovidos no âmbito da Semana da Composição 2026.
Esta página será atualizada ao longo da semana!
Programa:
CONCERTO 4 - Sábado, 6 Junho 2026 às 17h
Auditório Vianna da Motta
Fernando Lopes-Graça - Variações sobre um tema popular português
Kateryna Vovk - Piano
Composta em 1927, esta obra de juventude de Lopes-Graça reflete a sua profunda ligação à música popular portuguesa e o desenvolvimento da sua linguagem modernista. A peça destaca-se pela interação rítmica entre as mãos esquerda e direita, recorrendo a texturas polirrítmicas e a ritmos assimétricos característicos da sua escrita composicional. Estes elementos rítmicos acrescentam profundidade expressiva e complexidade à obra, exigindo do intérprete simultaneamente precisão técnica e flexibilidade interpretativa. O tema, uma melodia popular portuguesa simples e modal, serve de base a uma série de variações inventivas, cada uma explorando um carácter musical distinto ou um desafio técnico específico, que vai da introspeção lírica à energia rítmica vibrante. A obra combina de forma eficaz a herança nacional com sensibilidades modernistas, evidenciando a singular fusão entre tradição e modernidade que caracteriza a linguagem musical de Lopes-Graça.
Thomas Adès - Blanca Variations
Kateryna Vovk - Piano
Blanca Variations by Thomas Adès (2015) is based on the Sephardic folk song Lavaba la blanca niña, a tradition originating from the Jewish communities of the Iberian Peninsula. These songs are often characterized by lyrical melodies and a sense of nostalgia, with harmonic features associated with longing and loss. This expressive quality is reflected in the work, where the material undergoes continuous transformation while maintaining a sense of lyrical continuity. This work presents a contemporary reinterpretation of the variation form. Building on the traditional principle of theme and variations, it demonstrates a wide range of transformations in texture, rhythm, and harmonic language. Each variation possesses a distinctly defined character, contributing to the overall dramaturgy of the cycle. The harmonic language is often atonal or modally unstable, while the rhythmic organization is complex and intricately structured. The texture alternates between transparent and dense, incorporating polyphonic elements and diverse textural solutions.
Pedro Branco - 3 Gravuras de Hompesch
Pedro Mansilha Branco - Piano
Daniel Hompesch (1948–2017), artista belga radicado em Portugal, co-fundou a Bienal Internacional de Gravura do Douro, em Alijó. A forte amizade entre o pintor e a família do compositor — natural de Alijó — está na origem desta peça. Como tributo ao artista, Mansilha Branco interpreta musicalmente três das suas gravuras.
Bernardo Jordão - Mirages (seleção)
Dinis Brito - Piano
Mirages é um conjunto de miniaturas que tem como objetivo explorar novas técnicas no piano, que até à data, ainda não tinha explorado. Cada miniatura tenta transmitir uma ideia abstrata do mundo real, procurando explorar uma fórmula/conceção/técnica diferente em cada uma delas.
Miguel Tiago Moura - Pierrot Solar
Miguel Tiago Moura- Piano
Num lugar de Itália, de cujo nome não quero lembrar-me, viveu um homem chamado Pedrolino. Depois atravessou os Alpes, mudou o nome para Pierrot e passou os anos seguintes a sofrer por amor. O problema é que Colombina raramente lhe corresponde: prefere Arlequim, sedutor e ladrão de corações, deixando Pierrot aos seus devaneios, às lágrimas e, com o passar dos séculos, à poesia.
O título surgiu durante a escuta, numa tarde de Maio, da obra-prima de Schoenberg, Pierrot Lunaire, que há muitos anos me faz comichões: parecia haver uma incompatibilidade entre a música que saía das colunas e a luz que entrava pela janela. Partindo dos poemas de Albert Giraud, que inspiraram Schoenberg, proponho uma nova leitura de Pierrot, menos desassossegado e menos lunar, e um pouco mais bronzeado. Esta obra é, por isso, uma homenagem a Schoenberg, mas sujeita a alterações atmosféricas: depois de tantos anos a sofrer, talvez Pierrot mereça um dia de praia.
Inês Pinto - Wind
Joana Pessoa - Guitarra Clássica
“Em passos largos, o vento visita os montes e as aldeias,
as pontes e os faróis. Atira-se para o mar e sopra as ondas lá longe.
Sopra os cabelos da senhora, rouba o balão da criança e faz voar as folhas amarelas.
De vez em quando acalma e refresca as caras molhadas.
É a brisa que se diz suave, mas imprevista. Volta a empurrar a copa das árvores, enrola os lençóis nos estendais das janelas e morre de repente, sem deixar saudades.”
Cristina Pinto
Rose Roberts - Memory of a Place Beyond Time
Gustavo Cruz - Guitarra Clássica
I find the sound of the classical guitar evokes something ancient, a feeling of being
in touch with something that is anthropological in a way. It feels as if communicating with a genetic memory of ritual, dance and community, the bedrock of cultures throughout the world and a practice which has close ties to plucked instruments dating back thousands of years. “Memory of a Place Beyond Time” draws from this inspiration by incorporating techniques and sound worlds from different cultures and who have their roots in popular tradition.
Dinis Brito - Improviso
Tiago Mileu - Piano
António Correia - 4 studies for children
Tiago Mileu - Piano
Quatro Estudos para Crianças é uma suíte de peças curtas para piano destinada a pianistas iniciantes e intermediários, incluindo aqueles de todas as idades (ao contrário do que o título sugere). As peças não estão ordenadas por dificuldade e o arranjo aqui apresentado é, na verdade, uma sugestão para a execução do conjunto.
Lowell Liebermann - Gargoyles
Pedro Nunes - Piano
Solange Azevedo - Clarão
TrioAro:
Diogo Cocharra, clarinete
Adriana Gonçalves, violoncelo
Miguel Perdigão, piano
“Clarão
O que isto é, viver!
Abrir os olhos, ver
E ser o nevoeiro que se vê!
Nevoeiro ao nascer,
Nevoeiro ao morrer
E um destino na mão que não se lê”
Miguel Torga em "Diário" (1942)
Clarão é um título que sugere uma iluminação repentina. Mas essa claridade contrasta com o conteúdo do poema. Esse contraste sente-se logo nos primeiros compassos com o ataque do piano surgindo como um clarão, seguido de uma reação que procura, tenta entender, explora o desconhecido.
A música acompanha cada verso do poema, conduzindo-nos como num percurso, onde o espaço sonoro reflete o espaço poético. O nevoeiro aqui não é apenas obstáculo, mas também mistério: é incerteza, procura, caminho. É ver e não ver, avançar sem saber ao certo para onde - e encontrar, nessa indeterminação, uma beleza própria. Sempre gostei do nevoeiro, por não permitir ver em redor. Ao mesmo tempo é inquietante e acolhedor, como um manto que nos cobre e envolve tudo à nossa volta. Clarão fala-nos deste paradoxo: a luz que ilumina, mas também revela os contornos difusos da vida, feita de dúvidas e de destinos invisíveis.
Responsáveis de Produção: Bernardo Jordão, Inês Pinto, Luísa Basílio
Som
Captação (apoio de palco): Ruan Tigre, Pedro Mateus, Vasco Tinoco
Captação vídeo: João Proença
Operação (Projeção de Vídeo): Gabriela Marramaque
Coordenação técnica: Sérgio Henriques e Francisco Serrano
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CONCERTO 1 - 3ª feira, 2 Junho 2026 às 20h
Auditório Vianna da Motta
Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira
da ESML & ESML.PERC
Estevão Chissano - O último suspiro |
Carolina Carneiro - Trompa, Pedro Pádua - Eletrónica
Esta peça foi concebida no momento em que ainda atravessávamos a pandemia. A humanidade foi encontrada desprevenida, este ser tão cheio de si e quase autosuficiente, mergulhou na fragilidade. O oxigénio tornou-se notável e caro para muitos e infelizmente vários viram os seus familiares e pessoas queridas dando o seu último suspiro. Nesta situação, enquanto o vírus ia tirando de nós pessoas conhecidas, nos agarramos esperançosos na ciência, usando a nossa inteligência para a cura e alguns tendo os olhos postos no Divino. Sendo uma situação que não escolheu raça, nação ou religião, a trompa cria uma ponte oportuna entre as diferentes sociedades pois a sua história começa há milhares de anos, quando o homem aprendeu a usar chifres de animais, ou seja, cornos, como instrumento. Também achei oportuno ter na mesma obra no mínimo duas religiões representadas, a Cristã e a Islâmica. O áudio em árabe é um convite a oração e o outro áudio que é em latim, temos uma oração em que se pede a paz. Esta obra pretende ser, coroado pelo timbre nobre da trompa, um momento não só de escuta musical, mas também de contemplação do dom da vida.
Wenbin Lyu - Adlez | Teoman Özdoğru - Guitarra elétrica
Tobias Krebs - “Schilf II” for prepared
Oboe d'Amore & video |
Mariana Flores - Oboé, Pedro Pádua - Eletrónica
Emídio Buchinho - Be Composer | ImprovLab do Lab. de Música Mista JLF*
* Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML (Prof. Jaime Reis):
Catarina Crespo & Fruzsina Szücs |Clarinete
Carolina Carneiro & David Ferreira | Trompa
Teoman Özdoğru (líder do ImprovLab) & Hugo Morais |Guitarra elétrica
António Girão & Pedro Pádua | Sintetizador
Mariana Flores | Oboé
Paula Galiana | Violino
Vera Carvalho - i m p a s t o | Grupo de Percussão da ESML **
Projeto compositores@esml.perc III;
i m p a s t o
Baseado no quadro Starry Night Over the Rhône, de Vincent Van Gogh
texturas. gestos. atmosferas. são as palavras que definem esta obra.
Surge de uma técnica textural da pintura, com o mesmo nome, aplicada como forma de criar altos e expressivos relevos, através de uma aplicação densa da tinta,
e frequentemente utilizada por Van Gogh. Meses antes de ser internado,
Vincent pinta Starry Night Over the Rhône (1888).
O quadro sobre o qual esta obra se constrói é caracterizado, a olho nu, pela beleza e serenidade de uma noite sobre o rio francês, mas, no seu interior, o pintor vive
uma desordem e inquietação constantes.
Esta obra para ensemble de percussão, pretende representar esta ideia de texturas,
ao focar-se na organização do som e no gesto, realçando um lado introspetivo que
procura traduzir a dualidade entre o visível e o invisível, algo para além do que os
olhos (e os ouvidos) veem (e ouvem).
Tomás Duarte - Borboleta | Grupo de Percussão da ESML **
Projeto compositores@esml.perc III;
Para ensemble de percussão, “Borboleta” tem como objeto temático “Teoria do Caos”
A premissa de que pequenas variações num sistema complexo produzem resultados imensuráveis e imprevisíveis em alguns casos.
Dividida em três andamentos, o desenvolvimento da peça é usado para ilustrar a passagem do tempo e o embate entre o desejo de controlo e a realidade das circunstâncias. Convida à aceitação da vida como ela é, pela simplicidade,
não de um destino místico, mas da natureza factual e imprevisível da existência.
** Grupo de Percussão da ESML:
Francisco Franca
Gonçalo Matos
Gustavo Silva
Gil Matos
Óscar do Fundo
Rui Melo
Tomás Jesuíno
Marco Fernandes, direção
Operação: Gabriela Marramaque
Captação: João Proença
Coordenação técnica: Sérgio Henriques
CONCERTO 2 - 4ª feira, 3 Junho 2026 às 20h
Auditório Vianna da Motta
Pedro Branco - Fantasia
Pedro Branco - Piano , Inês Montoia - Vibrafone
Inspirado pela imagética do poema homónimo de Jorge Alecrim, parente do compositor, Mansilha Branco explora o leque de emoções do artista "remador" no seu diverso e fragmentado psique criativo.
Sérgio Azevedo - Peças de Sinos (seleção)
Sérgio Azevedo - Piano
1. Jubilate
2. Sinos através da Neblina
3. Tintinaabulum
4. A rebate
As peças de Sinos, como o título sugere, baseiam-se, cada uma, na sonoridade complexa dos sinos. Não há, nas 11 que constituem o ciclo, duas peças parecidas, e os títulos remetem igualmente para contextos diversos nos quais os sinos são protagonistas.
Åke Parmerud - Dark Harbour
David Ferreira, Trompa,
Pedro Pádua, Eletrónica
Hugo Morais - Drawning Straight Lines |
Fruzsina Szücs - Clarinete,
Hugo Morais - Eletrónica
Esta peça para clarinete e eletrónica conduz o ouvinte numa viagem que retrata um ataque de ansiedade. O nome Drawing Straight Lines retrata a busca pela perfeição que levada ao extremo pode levar a este estado de agitação psicológica e à dúvida. A obra parte do repouso, que é interrompido por um acumular de tensão, culminando num clímax seguido de uma secção que representa um estado de dormência: o clarinete deixa de responder à eletrónica.
Carlos Caires - Limiar
Catarina Crespo - Clarinete,
António Girão - Eletrónica
Limiar, para clarinete solo e electrónica, resultou de uma encomenda da Fundação Centro Cultural de Belém para um espectáculo de música e dança. Foi estreada em Lisboa (CCB) em Outubro de 2002, interpretada por Vitor Pereira (Remix Ensemble), dançada por Martin Nachbar segundo uma coreografia de Lilia Mestre. Limiar é um caminho que se percorre entre vários pares de extremos: da composição do “ruído” à organização das “notas”, da quase-irregularidade à quase-regularidade, do grave ao agudo, do desfocado ao definido, do vazio ao preenchido. A ideia não é a de procurar uma verdadeira integração entre o mundo instrumental e o electrónico, mas antes propor uma lenta transformação de um no outro.
Christopher Bochmann - My Ladye Celia's Songbooke
Armando Possante, Barítono;
Ricardo Martins, Piano
My Ladye Celia's Songbooke - Book II
1. Celia has a thousand charms (Robert Gould)
Interlude I
2. I loved fair Celia many years (Anon.)
Interlude II
3. Love arms himself in Celia's eyes (Matthew Prior)
Interlude III
4. Chacony
Desde os grandes modelos dos ciclos clássicos
e românticos de Beethoven, Schubert, Schumann, Wolf é que o ciclo de canções
tornou-se uma forma consagrada da música erudita. No entanto, alguns destes
ciclos têm mais sentido de unidade e direcionamento, enquanto outros se revelam
como pouca mais de coleções de peças individuais.
Em todos os ciclos aqui presentes, preocupei-me com a ideia de ciclo, planeando um percurso “tonal” e as proporções relativas das peças e ainda, normalmente, a maneira em que uma peça segue para outra. A frequente utilização de interlúdios também aumenta a sensação de unidade e equilíbrio.
My Ladye Celia’s Songbooke (Vol.I 2004; Vol.II 2009; Vol.III 2020)
Durante os séculos XVII e XVIII, o nome Celia foi muitas vezes utilizado por poetas ingleses para designar a mulher idealizada. Os três volumas de My Ladye Celia’s Songbooke utilizam poemas dedicados a “Celia”. Neste caso, os três volumas são todos dedicados à minha mulher, Celia.
Volume II:
1. Robert Gould (1660? -1709)
2. Anonónimo
3. Mattlew Prior (1664-1721)
4.
sem texto.
Estes poemas foram todos usados por Henry Purcell (1659-1695) cujos 350 anos do nascimento se comemoravam em 2009.
O título “My Ladye Celia’s Songbooke” é uma invenção baseada em títulos típicos do século XVII (como My Ladye Nevells Grownde, My Lady Carey's Dompe, Elizabeth Rogers Hir Virginal Booke, etc.)
O facto de todos os três ciclos começarem com um gesto quase igual, à volta de um Dó# central, na parte do piano ainda sugere que estamos perante um ciclo de ciclos.
Responsáveis de Produção: Bernardo Jordão, Inês Pinto, Luísa Basílio
Operação: Gabriela Marramaque
Captação: João Proença
Coordenação técnica: Sérgio Henriques
CONCERTO 3 - 6ª feira, 5 Junho 2026 às 20h
Auditório Vianna da Motta
ClusterLab Ensemble da ESML & Convidados
Lucas Gonçalo - A Minha Voz
para voz e electrónica
Inês Moura, Soprano; Lucas Gonçalo, Eletrónica; Tiago Lemos, Encenação.
notas de programa:
A Minha Voz parte de fragmentos de poemas de Herberto Helder reorganizados numa nova estrutura textual, complementada por algumas frases originais. A peça desenvolve- se como um percurso simbólico dividido em 22 fragmentos, associados a diferentes fases de um crescimento criativo e artístico. Sem assumir uma narrativa autobiográfica literal, a obra inspira-se num percurso pessoal ligado à música, à memória e à transformação artística. Ao longo da peça surgem momentos de infância, descoberta, tensão, repetição obsessiva, colapso criativo e reflexão, atravessados por uma constante dualidade entre referências da música erudita e elementos associados à música comercial e eletrónica contemporânea.
A eletrónica fixa e a escrita vocal foram construídas diretamente a partir das imagens sugeridas pelo texto. Em certos momentos, a voz aproxima-se da linguagem lírica tradicional; noutros, fragmenta-se em whispering, fala rítmica, respirações, vocal fry e secções parcialmente abertas à interpretação da cantora.
A encenação integra-se diretamente na estrutura musical da obra, funcionando como prolongamento físico da transformação progressiva da personagem ao longo da peça. No final, A Minha Voz encaminha-se para um estado de aceitação e continuidade, assumindo o passado, as referências e as diferentes linguagens musicais não como opostos, mas como partes integrantes de uma mesma identidade criativa.
Iris Bramberger - They all have lied
Catarina Martins, soprano; Paula Galiana, violino
Encenação de Paula Galiana, Catarina Martins e Carlos Marecos
program notes:
they all have lied is a piece written for violin and soprano (and scene). It combines excerpts from poem 14. of the poetry collection When Angles Speak of Love by bell hooks as well as Time does not bring relief; you all have lied by Edna St. Vincent Millay to address the topic of sexual violence but most importantly solidarity and support amongst women and people/persons. It is the same solidarity that is expressed in the choices of a blues inspired melody. The piece aims to call for solidarity, to show support toward those faced with violence.
Bernardo Jordão - Revenant
ClusterLab ensemble
notas de programa:
Revenant é uma obra para Orquestra de Câmara em 4 andamentos. Baseada no modelo da Sinfonia de Câmara No. 1 de Arnold Schönberg, esta obra pretende invocar uma memória espiritual dos compositores do passado. Ao longo da peça podemos encontrar várias citações de diversas obras que atuam como material para a peça toda.
1. Distant
2. Procession, Walking
3. Reluctant
4. Ferocious, Finale
Lucas Gonçalo - Firemount
ClusterLab ensemble
notas de programa:
Firemount é uma viagem sonora inspirada na imagem de uma montanha emfogo — uma força da natureza que desperta, que convoca rituais para conter asua fúria, mas que acaba por descansar sem causar destruição.
O primeiro andamento, Slow Awakening, revela o despertar lento e misterioso da montanha, com ritmos saltitantes e texturas rítmicas que lembram o movimento da terra preparando-se para o que está por vir.
No segundo andamento, The Ritual, o som evolui para padrões repetitivos e hipnóticos, evocando uma cerimônia ancestral destinada a apaziguar a montanha.
Finalmente, o terceiro andamento, The Mountain Sleeps, traz uma resolução serena: acordes longos e harmonias suaves refletem a tranquilidade de uma montanha que adormece, após um susto.
Canções Tradicionais Portuguesas/Carlos Marecos
ClusterLab ensemble, com Catarina Martins, soprano
- Cantiga da Monda
- Diz à terra que não coma as tranças ao meu cabelo
notas de programa:
Estas duas canções, originárias de Idanha-a-Nova, na Beira Baixa, atravessam temas como a morte, a perda, o sofrimento e a melancolia. Mas é precisamente desse confronto com a finitude que emerge uma afirmação da vida. Mesmo quando o tempo e a dor nos aproximam do silêncio, subsiste a capacidade de resistir, de nos erguermos e de continuar com energia.
2 Canções Populares/Fernando Lopes-Graça
ClusterLab ensemble, com Maria João Gavinhos, soprano
- Romance do Cego
- Oh Minha Amora Madura
notas de programa:
O Romance do cego pertence às Canções Regionais Portuguesas para Coro (série VI) de Fernando Lopes-Graça, escritas por a partir de materiais recolhidos da tradição vocal da Beira Baixa. Esta abordagem parte sa harmonia original de Graça, procurando dar-lhe uma outra cor instrumental e textural, através das possibilidades oferecidas por esta orquestra de câmara.
Oh minha amora madura é uma canção de texto popular e melodia tradicional com várias variantes associada ao Baixo Alentejo. A versão de Lopes-Graça que serviu de referência a esta versão orquestral foi a sua versão para canto e piano. Quando a escutei pela primeira vez, o desenho de acompanhamento, com acentos irregulares no piano lembrou-me de imediato a rítmica da dança das adolescentes da Sagração da Primavera de Stravinsky. A partir desta associação, a orquestração procura aproximar-se ainda mais desse universo sonoro e estético, não pelas notas repetidas nas cordas, mas também pela introdução de mais alguns motivos melódicos da Sagração, ausentes do original de Graça; espero que ele perdoe!
Canções Tradicionais Portuguesas/Carlos Marecos
notas de programa:
Naquele Lado del Rio é uma canção popular Transmontana, enérgicae dançavel, que parece ser recolhida, nem mais nem menos, lá para Freixo de Espada à Cinta. Esta recriação aposta no humor e na energia, com harmonias por vezes rudes, efeitos espressivos, ironizando com o 'sabor' de uma festa popular.
No oposto, em termos emocionais, está Na Primavera Passada, uma bela melodia popular de Paradela Miranda do Douro, também em Trás- os-Montes. É uma melancólica canção amorosa, que brinca, no seu poema, com a contradição entre a alegria da primavera e das suas flores, e a tristeza da melancolia do amor. A sua riqueza melódica permite explorar um contraponto livre entre timbres diferentes numa textura atravessada por elementos adicionais, como efeitos esperessivos nas cordas, figuras ornamentais, melancólicos acordes espectrais que a invadem, e, por fim, a calma, o tempo longo, o prazer de chegarmos ao silêncio.
Mariana Flores, oboé
Catarina Crespo, clarinete
António Alface, clarinete baixo
Inês Lopes, fagote
Joana Ferreira, saxofone
Francisca Fernandes e Joana Casas, trompetes
Maria Brites, trombone
Rafael Martins, Eufónio
Maria Freitas, Harpa
Éric Silveira, violinos II
Xu Feiyang, violino II
Íris Almeida, viola
Carolina Veneno, violoncelo
Maria Calado, contrabaixo
Responsáveis de Produção: Bernardo Jordão, Inês Pinto, Luísa Basílio
Produção Técnica: João Maciel, Gonçalo Fernandes, Henrique Dionísio
Electrónica: Henrique Dionísio
Captação (apoio de palco): Gonçalo Fernandes, João Maciel, Mariana Barros
Captação vídeo: Bruno Morais, João Proença, Pedro Sebastião
Operação (Projeção de Vídeo): Gabriela Marramaque
Coordenação técnica: Sérgio Henriques e Francisco Serrano
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Conferências
António Jorge Pacheco | Mariana Dionísio | António Pinho Vargas | Jorge Salgueiro | Daniel Moreira | Luís Neto da Costa | Christopher Bochmann | Teresa Gentil | António de Sousa Dias
27 de Maio, 4a feira, 11:00 - Sala 0.60
Subsídios para a morte do artista - Música contemporânea: a inocência perdida? - António Jorge Pacheco
Quanto mais faço amor mais vontade me dá de começar a Revolução; quanto mais Revoluções começo mais vontade me dá de fazer amor (graffiti nas paredes de Paris em 1968)
28 de Maio, 5a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
_Peças-instrumento_? - Mariana Dionísio
Numa conversa sobre a maneira como aborda a composição enquanto improvisadora e performer, Mariana Dionísio partilha alguns dos mecanismos de composição que fazem do seu ensemble vocal LEIDA um instrumento.
28 de Maio, 5a feira, 11:40 - Pequeno Auditório - António Pinho Vargas
2. Depois posso olhar para composições que escrevi na tradição da música escrita europeia clássica ou erudita e posso medir o carácter milagroso que bastantes vezes se concretizou nas estreias ou nos concertos a que pude assistir. Para mim os aplausos do público ou, mesmo, os seus gritos são importantes.
De idêntico modo posso lembrar-me dos 3 dias das gravações do CD Lamentos — depois de 5 anos sem ouvir música com auscultadores — pude ouvir aquela música, aquelas 3 obras: a Sinfonia (subjetiva), os Concertos para Violino e Viola tocados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e as suas solistas Ana Pereira e Joana Cipriano, de forma admirável e muito comovente. Parece-me ser impossível ouvir aquele disco sem que paire no ar um espanto perante aquilo que é raro: falo da composição e dos intérpretes. Aparentemente, pode parecer um exagero, mas se for, estou muito convicto dele.
3. Fui professor 28 anos na Escola Superior de Música de Lisboa. A lista dos meus alunos é demasiado grande para aqui a poder referir.
Segunda parte: o sublime
4. Immanuel Kant no parágrafo número 49 da sua Crítica da Faculdade de Julgar ou do Juízo de Valor, trata das faculdades do ânimo que constituem a possibilidade de uma arte sublime. Segundo o filósofo francês Philippe Lacoue-Labarthe, Kant definia aí aquilo que considera “alma de uma obra”, “o princípio vivificante de uma obra”, “aquilo que lhe dá vida”, “o princípio vivificante de ânimo dos pontos este suplemento ou “acréscimo de vida” que excede aquilo que se poderia chamar, com Diderot (outro filósofo francês, mas este filosofo iluminista do século XVIII ) “a simples técnica”. Esta divisão não deixa de nos perturbar e enriquecer o pensamento.
5. Continuando a seguir Lacoue-Labarthe, a Alma é simples e literalmente o que anima um poema, uma narração, um discurso, este princípio não é nada além da faculdade de apresentação das Ideias Estéticas, dessas representações que dão “muito a pensar” sem que, contudo, qualquer pensamento determinado, isto é, um conceito possa ser-lhe adequado. Consequentemente nenhuma linguagem alcança inteiramente nem o pode tornar compreensível. Esta contestação do pensamento conceptual como diverso do pensamento estético percorre muitas páginas de Adorno.
Terceira parte: a composição
6. Neste ponto interrogo, ou melhor, interrompo a minha leitura de Kant sobre o sublime com Lacoue-Labarthe para isolar os aspetos principais: anima vs técnica, portanto ânimo (de Kant) versus técnica (de Diderot). Continuo: a técnica será o nosso conhecimento elementar sem o qual se pode dizer que “nós não sabemos música”.
7. Se não soubermos música não sabemos sequer o que acontece numa Sonata de Mozart, qual é a sua tonalidade, qual é o momento em que muda para a dominante, como é que o faz, qual é o percurso que ele conduz na progressão, para o tornar próprio da forma Sonata que, diga-se, raramente corresponde completamente à forma Sonata tipo. O modelo apresentado já depois da morte de Haydn, Mozart e Beethoven por Carl Czerny depois de 1820 como nos ensinas Charles Rosen, no seu livro The Classical Style.
Só li esse livro comprado entre 1979 e 80 é que fiquei a saber que a forma Sonata tal como nos era descrita nas aulas do conservatório de piano ou de composição nos anos 70 ou 80 era afinal aquilo que Czerny tinha procurado resumir do grande número de obras do estilo clássico.
1 de Junho, 2a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
Ópera em portugal, uma revolução em curso - Jorge Salgueiro
Com o surgimento em 2023 dos apoios dedicados à criação de ópera por parte da Direção- geral das Artes, novas formas de criar e produzir ópera surgiram em pequenas companhias. Irei abordar o caso que melhor conheço, o da Associação Setúbal Voz, e conceitos que aí surgiram, como a Ópera para Bebés, Ópera no Bairro, e novas formas de criar e formar públicos e novos intérpretes.
1 de Junho, 2a feira, 12:00 - Pequeno Auditório
A musicalidade do cinema como modelo composicional - Daniel Moreira
Música e cinema partilham um conjunto de denominadores comuns, enquanto artes do movimento, do ritmo e do tempo. Nesta comunicação, exploro algumas das consequências dessa afinidade no meu trabalho como compositor. Partindo de uma breve análise da musicalidade de certas práticas cinematográficas e da influência do cinema sobre o pensamento de vários compositores, percorro o modo como várias peças de minha autoria se inspiram na musicalidade do universo cinematográfico, em aspetos como a montagem, o movimento de câmara, a estrutura narrativa e o som.
1 de Junho, 2a feira, 15:00 - Pequeno Auditório
Workshop de Gestão de Carreira Artística - Vanessa Pires – Artway (sessão de 90 minutos)
Este workshop oferece uma visão prática e estratégica sobre a gestão de carreiras artísticas, nomeadamente na área da música. Com base na sua experiência como gestora de projetos, programadora artística e violoncelista, Vanessa Pires aborda temas essenciais para futuros músicos profissionais, tais como:
- Planeamento estratégico: como definir objetivos e posicionar-se no setor musical
- Comunicação e criação de portfólio artístico: conteúdos essenciais e principaisferramentas
- Gestão de projetos e financiamento: transformar ideias em propostas viáveis
- Criação de valor: ética profissional e networkingO workshop de Gestão de Carreira Artística, orientado por Vanessa Pires, é uma oportunidade para explorar de forma prática e estratégica os caminhos para construir uma carreira sólida no setor artístico. A partir da sua experiência como gestora cultural, programadora artística e agente, Vanessa partilha ferramentas essenciais para quem se prepara para o mundo profissional: do planeamento estratégico à criação de portfólio, da gestão de projetos e captação de financiamento à definição de uma identidade artística autêntica e comunicativa.
2 de Junho, 3a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
Neto da Costa apresenta o seu mais recente álbum “Luís Neto da Costa: Last Chamber Works” que conta com a gravações de seis grupos: Ensemble Suono Giallo, Sond’Ar-te Duo, Aleph Guitar Quartet, ars ad hoc, Ensemble Recherche e Vertixe Sonora. O compositor irá abordar a variedade de materiais e estilística presente no álbum: influência de música ambiente, ruídos suaves (uma espécie de ASMR), melodias microtonais subtis, alternância entre acordes com harmónicos e distorção/saturação, bem como influências do punk.
2 de Junho, 3a feira, 11:40 - Pequeno Auditório
3 de Junho, 4a feira, 11:00 - Sala 0.60
Ti Chitas, a voz que é uma montanha: trajetos para a construção de uma ‘ópera- cancioneiro’ - Teresa Gentil | Inet-MD
Nesta comunicação proponho uma reflexão sobre o processo de criação literário-musical da ópera Ti Chitas, a voz que é uma montanha, estreada recentemente no CCB (26/02/2026). O projeto resulta de uma investigação etnomusicológica ao redor da voz da pastora e tecedeira Ti Chitas (Penha Garcia, 1913 - 2003), figura incontornável da música de matriz rural portuguesa.
A partir dos registos fonográficos da cantora e adufeira, construiu-se um objeto artístico em que a sua voz assume um papel estruturante, articulando memória(s), música, dramaturgia, espaço cénico e visual. A comunicação procurará evidenciar os trajetos de criação que conduziram à construção desta ‘ópera-cancioneiro’, refletindo sobre as possibilidades de transposição do arquivo etnomusicológico para o contexto da criação contemporânea.
3 de Junho, 4a feira, 12:00 - Sala 0.60
Criação e investigação artísticas nos territórios do «entre»
António de Sousa Dias | Universidade de Lisboa/CIEBA
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre a relação entre criação e investigação artísticas a partir dos territórios do «entre»: espaços em que categorias como teoria e prática, som e música, obra e processo deixam de bastar para descrever certos modos de fazer. A partir de exemplos da minha prática enquanto compositor e criador no domínio da música, da criação sonora e de formas intermediais, procurarei mostrar como determinados processos artísticos não apenas mobilizam reflexão, mas constituem eles próprios formas de pensamento, experimentação e produção de conhecimento.

